21/09/2007

Você sabe o que é Apnéia do Sono?

Embora oficialmente a Síndrome da Apnéia e Hipopnéia Obstrutiva do Sono, conhecida pela sigla SAHOS, englobe várias situações clínicas, classicamente ela se caracteriza por episódios repetitivos de obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores durante o sono, que se manifestam como uma diminuição (hipopnéia) ou ausência (apnéia) do fluxo aéreo apesar da manutenção dos esforços musculares respiratórios. Como conseqüência imediata a tais episódios pode haver queda da oxigenação sangüinea, aumento dos níveis sangüíneos de gás carbônico nos casos de eventos prolongados, além da ocorrência freqüente de despertares e microdespertares levando à fragmentação do sono. O ronco geralmente está presente sendo produzido pela vibração de partes moles da faringe.

A SAHOS é uma condição extremamente prevalente, acometendo 1 a 9% da população adulta, predominantemente masculina, com mais de 40 anos.

Na origem do problema atuam diversos fatores estruturais e/ou funcionais levando a um maior estreitamento das paredes da faringe durante o sono, como, por exemplo: desvio de septo nasal, rinites, aumento das adenóides, aumento das amígdalas, língua grande, mandíbula curta ou retroposicionada, aumento do tecido gorduroso nas paredes laterais da faringe, tumores, pescoço curto, paralisia de cordas vocais, doenças neuromusculares, hipotireoidismo, obesidade, entre outros.

Os sintomas mais comuns da SAHOS são o ronco, a sonolência diurna excessiva e as pausas respiratórias durante o sono, observadas pelo companheiro de quarto. Com o tempo surgem queixas de déficit de atenção, memória e concentração, além de pouca disposição para as atividades diárias, irritabilidade, dores de cabeça e diminuição do desejo sexual. Ocorre sério comprometimento da qualidade de vida, capacidade profissional e função social. Também podem ser observadas depressão e impotência sexual. Neste contexto clínico, os portadores da síndrome são mais suscetíveis a acidentes de trânsito, motivo pelo qual a SAHOS é considerada um problema de saúde pública.

As complicações cardiovasculares desta síndrome são as mais temidas. Além de constituir um fator de risco independente para hipertensão arterial sistêmica, pode contribuir para a instalação e progressão de outras doenças como angina, infarto, arritmias, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral.

O diagnóstico desta entidade baseia-se no quadro clínico descrito associado ao estudo polissonográfico de noite inteira. Tal estudo (polissonograma) consiste na monitorização simultânea de algumas variáveis fisiológicas durante o sono, tais como: eletroencefalograma, eletrooculograma, eletromiograma, eletrocardiograma, fluxo aéreo nasal e oral, esforço respiratório torácico e abdominal, oxigenação sangüínea, entre outros. A demonstração da presença de cinco ou mais apnéias e/ou hipopnéias por hora de sono confirma o diagnóstico de SAHOS. Este exame ainda ajuda a identificar as alterações associadas à síndrome, como ronco, freqüência dos despertares, queda na oxigenação sangüinea, arritmias, grau de prejuízo na eficiência do sono, entre outros, bem como a classificar a gravidade da doença.

O tratamento visa suprimir a ocorrência de apnéias, hipopnéias e roncos, bem como de suas conseqüências, levando a uma maior qualidade de sono e de vida. Recomenda-se, em linhas gerais, evitar a ingestão de álcool e sedativos (exacerbam o colapso faríngeo), emagrecer, evitar dormir em posição supina (uma vez que nesta posição a língua cai posteriormente e piora a passagem de ar) e tratar as doenças endócrinas (hipotireoidismo, acromegalia) e otorrinolaringológicas quando presentes. Atualmente, existem alguns medicamentos usados visando reduzir as apnéias/hipopnéias, porém nenhum com eficácia comprovada.

O tratamento específico da SAHOS pode ser baseado no uso noturno de aparelhos de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) através de máscaras nasais, visando mantê-las abertas durante o sono, ou de aparelhos intra-orais que permitem o tracionamento da mandíbula ou da língua anteriormente para aumentar o diâmetro das vias aéreas superiores e, menos freqüentemente, pode ser cirúrgico.

Dra. Andréa Luísa Cavalcanti
Especialista em Pneumologia e Terapia Intensiva


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